Flávio Bolsonaro apresenta plano econômico com cortes, privatizações e redução de impostos
Programa prevê reforma administrativa, revisão tributária, investimentos em infraestrutura e meta de crescimento anual de 4% durante uma década
O plano econômico apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tem como principal objetivo promover crescimento sustentado da economia brasileira, com uma meta de expansão de 4% ao ano durante os próximos dez anos. O programa foi elaborado sob coordenação de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, e Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia.
Um dos principais pilares é o chamado “Tesouraço”, proposta de redução das despesas públicas e reorganização das regras fiscais. O programa prevê reforma administrativa, redução de pelo menos dez ministérios, diminuição de cargos comissionados, combate a supersalários e revisão das despesas administrativas. A campanha também defende uma regra de controle dos gastos discricionários dos três Poderes para estabilizar e posteriormente reduzir a relação entre dívida pública e PIB.
Na área das empresas estatais, o programa propõe retomar o Programa Nacional de Desestatização e avaliar quais empresas ainda precisam permanecer sob controle estatal. O documento não especifica quais companhias seriam privatizadas. Segundo a equipe econômica, a prioridade seria reorganizar e sanear as estatais antes de eventuais processos de venda. Ao mesmo tempo, a campanha afirma que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa não seriam privatizados, segundo declaração recente do coordenador econômico Adolfo Sachsida.
Outro eixo é a infraestrutura. O plano prevê aproximadamente R$ 900 bilhões em investimentos em quatro anos, envolvendo rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias. Entre os projetos citados estão a Ferrogrão, o Trem do Nordeste e a conclusão da Transnordestina. Para financiar parte desses investimentos, a equipe propõe ampliar concessões, parcerias público-privadas, financiamentos do BNDES e mecanismos de securitização de ativos da União.
Na política tributária, Flávio defende uma revisão da reforma aprovada durante o governo Lula, com redução da carga sobre empresas, investimentos e exportações. O programa também propõe diminuir impostos sobre energia e combustíveis e reduzir gradualmente encargos como a Conta de Desenvolvimento Energético. O candidato afirmou ainda que pretende modernizar o sistema tributário e considera alterações constitucionais na reforma do consumo.
A campanha também promete reduzir o custo do trabalho e ampliar o acesso ao crédito. Entre as propostas estão medidas voltadas à empregabilidade, estímulo ao primeiro emprego e transformação da Caixa em uma instituição mais direcionada ao financiamento de empreendedores, habitação e orientação financeira.
O programa, portanto, combina redução de despesas, mudanças tributárias, participação privada em investimentos e reformas na administração pública. A execução das medidas, porém, dependeria de aprovação do Congresso Nacional e de regulamentações posteriores.



