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Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
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Economia em Foco

O Desafio Fiscal e o Engessamento do Orçamento Público no Brasil

O crescimento das despesas públicas, o avanço do endividamento e o engessamento do orçamento reduzem a margem de manobra do governo e ampliam a pressão por reformas fiscais.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Senado

A poucos dias da eleição, observa-se uma série de discussões envolvendo políticas econômicas, sobretudo aquelas relativas à concessão de benefícios, privilégios ou incentivos a determinadas camadas sociais ou setores específicos.

Cabe ressaltar, primeiramente, que a estratégia de arrecadação do Brasil passou por transformações significativas nas últimas décadas. No passado, a tributação incidia predominantemente sobre as exportações. Contudo, com a migração das famílias do campo para as cidades, houve um crescimento expressivo da tributação sobre o consumo — campo em que cada estado possui a sua autonomia. Diante de cenários deficitários, os estados também acabaram por elevar as suas respetivas cargas tributárias.

Posteriormente, verificou-se um crescimento substancial na arrecadação decorrente do imposto de renda. Em diversos momentos, a tabela do Imposto de Renda não foi atualizada de forma adequada, o que incorporou um número progressivamente maior de cidadãos às faixas de tributação, elevando diretamente a arrecadação pública.

Dessa forma, o Brasil evoluiu num contexto de necessidade de caixa crescente. O orçamento público apresentou expansão contínua, exigindo receitas cada vez maiores. A partir de 2014, diante de uma crise institucional e econômica, o país passou a gastar mais do que efetivamente arrecadava, acumulando cerca de doze anos de déficit fiscal e recorrendo ao endividamento interno para cobrir esse desequilíbrio.

Em uma trajetória de dívida crescente, agravada por uma taxa de juros de 13,75%, estima-se que, para efetuar o pagamento de juros e amortizações, o país despenderia atualmente cerca de 8,6% do PIB — um volume expressivo de recursos. Sem medidas rigorosas de contenção de gastos e sem uma alocação mais eficiente dos recursos públicos, o sistema caminhará para um colapso.

No atual período eleitoral, registram-se despesas elevadas direcionadas ao processo em curso. O problema fiscal constitui uma peça-chave na economia brasileira e desperta diversos interesses, uma vez que diferentes setores buscam incentivos ou reduções de custos em um cenário de orçamento restrito e elevado endividamento. Contudo, a solução para o país exige um saneamento das contas públicas e maior eficiência na gestão dos recursos. O Brasil terá de enfrentar essa questão brevemente, dado que a dívida pública se aproxima de 100% do PIB; atingido o limite de insolvência, o cenário poderá aproximar-se daquele observado na Argentina.

Atualmente, o país encontra-se diante da escolha entre adotar medidas preventivas ou ser submetido a remédios amargos com custos elevados.

O orçamento federal apresenta elevado grau de engessamento, estando quase a totalidade dos recursos comprometida com despesas obrigatórias e políticas já estruturadas. Para a implementação de novas políticas públicas — independentemente da orientação política do governo —, faz-se necessário realizar cortes ou remanejamentos orçamentários. Diante de uma margem de manobra reduzida, a gestão fiscal exigirá concessões, decisões complexas e reestruturações relevantes.