Primeira onda da inteligência artificial perde força e mercado aguarda nova fase de expansão
Desaceleração do crescimento e pressão dos custos levam empresas a rever investimentos em IA, enquanto o setor aposta em soluções mais baratas para ampliar a adoção
Hoje, no programa Economia em Foco, eu gostaria de falar um pouquinho sobre a onda de IA. Parece-me que, neste momento, ela está desacelerando. Nós conseguimos acompanhar uma série de balanços de empresas como a Anthropic, como a Meta, como o Google, como a OpenAI. Essas empresas normalmente têm os seus balanços divulgados porque são empresas com capital aberto na bolsa, e ali conseguimos entender se o faturamento está crescendo, se o resultado está melhorando e em quais mercados elas estão conseguindo vender o seu produto. Normalmente, tudo isso está à disposição na estrutura dos balanços e nos relatórios que são divulgados para os investidores.
Somado a isso, recentemente tivemos uma publicação do balanço da Anthropic, e percebemos que ela está tendo um crescimento mais moderado e uma desaceleração nesse crescimento. Isso mostra um pouquinho que a estrutura está um pouco estafada. Um outro ponto também que temos que destacar, quando olhamos semicondutores e chips que são a base da construção de IA, percebemos também que essas empresas reduziram o crescimento de vendas nos últimos meses e no último trimestre.
O que isso indica? A Anthropic é dona da Claude, todo mundo conhece, utiliza, é uma ferramenta muito eficiente para o dia a dia, ainda mais quem trabalha no setor de serviços, e essa empresa está tendo uma redução no seu crescimento. Bem, os semicondutores também apresentam a mesma tendência. O que observamos de forma geral é que as empresas, nos últimos anos, fizeram um esforço muito grande, tanto em treinamento de pessoas quanto utilização de assinaturas, com aplicação disso em escala, e perceberam ganho de produtividade. Mas o resultado não foi suficiente para pagar o custo. Esse crescimento adicional também trouxe um custo adicional importante, e as empresas acabaram reduzindo o seu consumo, criando estratégias um pouco mais eficientes, logicamente para conter um pouco esse custo e aproveitar a IA de forma mais interessante.
Então, de fato, hoje entendemos que a utilização em massa de IA, em escala, dessa primeira onda que percebemos ao longo desse período, já está se encerrando, e agora aguardamos um novo salto para que novamente tenhamos um crescimento da utilização dos produtos no dia a dia das empresas. O que nós percebemos é que muitas empresas têm ancorado o seu produto com IA e, logicamente, acabam criando um risco, justamente porque, se a IA aumentar o seu custo de serviço, da sua mensalidade, do repasse, logicamente isso vai impactar o preço final do produto e do serviço que é vendido. Então, os empresários também começaram a ter muita atenção em relação a esse processo.
Certamente essa segunda onda vai acontecer na medida em que a IA trouxer um contexto de ferramenta mais barata e que pode caber no bolso daqueles que precisam neste momento. Então, o que percebemos pelos balanços das empresas de IA é que essa primeira onda de crescimento já está chegando no seu fim, e agora o mercado aguarda uma nova onda muito pautada em IA mais barata, com escala em uma proporção muito maior.


