Precedente histórico: nas urnas brasileiras, nunca houve uma virada no segundo turno
Desde a redemocratização, em todas as eleições presidenciais que tiveram segundo turno, quem terminou o primeiro turno em primeiro lugar também venceu a eleição.
Desde a redemocratização, as eleições presidenciais brasileiras revelam um padrão que nunca foi quebrado até hoje: sempre que a disputa chegou ao segundo turno, o candidato que terminou a primeira votação em primeiro lugar também acabou eleito presidente. Não se trata de projeção ou garantia sobre eleições futuras, mas de um dado histórico consistente desde a retomada das eleições diretas para a Presidência.
A primeira eleição presidencial depois do regime militar, em 1989, já inaugurou esse padrão. Fernando Collor terminou o primeiro turno na liderança e avançou para enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva. No segundo turno, manteve a vantagem e foi eleito presidente.
Em 1994, não houve necessidade de uma segunda votação. Fernando Henrique Cardoso conquistou a Presidência já no primeiro turno, superando a marca de 50% dos votos válidos. Quatro anos depois, em 1998, FHC repetiu o feito e garantiu a reeleição novamente sem segundo turno.
O segundo turno voltou a ocorrer em 2002. Lula terminou a primeira etapa na liderança e enfrentou José Serra na votação decisiva. A vantagem inicial se confirmou, e o petista foi eleito. Em 2006, a história se repetiu: Lula liderou o primeiro turno e depois derrotou Geraldo Alckmin no segundo.
Em 2010, Dilma Rousseff também chegou ao segundo turno como a candidata mais votada da primeira etapa. Enfrentou José Serra e terminou a eleição vencedora. O mesmo padrão seria repetido quatro anos depois, em uma das disputas mais apertadas da história recente.
Em 2014, Dilma recebeu 41,59% dos votos válidos no primeiro turno, contra 33,55% de Aécio Neves. No segundo, venceu com 51,64% dos votos válidos. Mais uma vez, quem havia largado na frente confirmou a liderança na votação decisiva.
Em 2018, Jair Bolsonaro obteve 46,03% no primeiro turno e chegou à etapa final à frente de Fernando Haddad. No segundo turno, Bolsonaro foi eleito com 55,13% dos votos válidos. Em 2022, Lula liderou a primeira votação com 48,43% e depois venceu Jair Bolsonaro por 50,90% a 49,10%.
Agora, em 2026, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. O segundo turno será realizado em 25 de outubro. O resultado ainda será decidido nas urnas, mas o contexto histórico está posto: desde 1989, nenhuma eleição presidencial brasileira com segundo turno terminou com uma virada do candidato que havia ficado atrás na primeira votação.
Ao longo de mais de três décadas, portanto, a liderança conquistada no primeiro turno sempre se confirmou na eleição definitiva. Historicamente, vencer a primeira etapa não foi apenas uma vantagem inicial: em todas as disputas presidenciais brasileiras desde a redemocratização que chegaram ao segundo turno, essa dianteira acompanhou o candidato até a vitória final.
Neste domingo, 25 de outubro, o Brasil escreve mais um capítulo da sua história política.




