Damares aciona PGR contra propaganda de Lula que simula ataque armado em escola
Senadora pede investigação sobre vídeo eleitoral produzido com inteligência artificial que associa a política de armas da família Bolsonaro a um ataque escolar
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para pedir a investigação de possíveis irregularidades em uma propaganda da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que simula um ataque armado dentro de uma escola. O vídeo, produzido com inteligência artificial, associa a defesa do acesso a armas pela família Bolsonaro à possibilidade de violência no ambiente escolar.
A representação foi encaminhada na quinta-feira (15) e solicita que a PGR identifique os responsáveis pela produção da peça, avalie os possíveis impactos psicológicos sobre crianças e adolescentes e examine as medidas adotadas pelas plataformas digitais para restringir a exposição de menores ao conteúdo.
Vídeo dramatiza violência dentro de sala de aula
A propaganda começa com um homem manuseando um revólver em casa, enquanto uma criança brinca no chão. Posteriormente, o menino aparece uniformizado para ir à escola e encontra a mesma arma em uma gaveta.
Na sequência, a criança se assusta com a buzina de um carro e sai de casa com a mochila. Ao entrar na sala de aula, a tela escurece e são reproduzidos sons de disparos e gritos, sugerindo a ocorrência de um ataque armado.
Durante a peça, um narrador afirma que “os Bolsonaros colocaram mais de 1 milhão de armas nos lares brasileiros”. A encenação procura associar a ampliação do acesso a armas à possibilidade de tragédias em instituições de ensino.
Damares questiona o uso desse tipo de dramatização em propaganda eleitoral, especialmente pela possibilidade de o material alcançar o público infantojuvenil. A senadora menciona estudos sobre o chamado efeito contágio, hipótese segundo a qual a exposição a determinados episódios de violência pode contribuir para a reprodução de comportamentos semelhantes.
Representação cita legislação de proteção à infância
O documento encaminhado à PGR menciona o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o artigo 227 da Constituição Federal e o ECA Digital. A parlamentar pede que sejam examinados os possíveis riscos associados à produção e à divulgação do vídeo.
A representação também questiona o uso de imagens reais de um menino de nove anos que apareceu segurando um objeto semelhante a uma arma durante uma comemoração eleitoral em Parnamirim (RN), entre apoiadores de Flávio Bolsonaro.
Até a publicação da reportagem original, não havia manifestação da campanha de Lula sobre a iniciativa de Damares, nem posicionamento da PGR sobre o pedido de investigação. O acionamento do órgão, por si só, não significa que irregularidades tenham sido comprovadas.
O episódio amplia a discussão sobre os limites éticos da propaganda eleitoral, sobretudo quando recursos de inteligência artificial são utilizados para representar violência envolvendo crianças. Em uma disputa presidencial, a crítica política faz parte do processo democrático, mas o uso de imagens de forte impacto exige transparência e responsabilidade, especialmente quando pode atingir públicos vulneráveis.




