Entre Deus e as urnas: Lula busca apoio evangélico após ataques do PT contra cristãos
Às vésperas do segundo turno, petista divulga carta religiosa para conquistar votos, em meio a controvérsias envolvendo a esquerda e símbolos cristãos
Lula recorreu a Deus, à família e à liberdade religiosa em uma nova carta direcionada aos evangélicos, tentando conquistar o apoio de um eleitorado decisivo para sua disputa pelo quarto mandato. A iniciativa expõe uma contradição política: depois de enfrentar críticas de cristãos por episódios envolvendo setores da esquerda, o presidente agora procura se apresentar como alguém alinhado aos valores religiosos desse público.
Na carta, Lula afirma contar com a proteção divina e pede que os fiéis orem antes de decidir o voto. Também cita medidas de seu governo e declara que não fechou igrejas nem perseguiu evangélicos. A mensagem tenta afastar a desconfiança de parte do eleitorado cristão e apresentar o petista como um candidato comprometido com a liberdade de culto.
O apelo ocorre após a campanha digital “Evangélicos com Lula” divulgar peças com frases como “Fé não tem partido”. Segundo reportagem da Veja, algumas artes utilizavam elementos visuais semelhantes aos associados à Igreja Universal do Reino de Deus. A iniciativa gerou questionamentos sobre o uso de símbolos e referências religiosas na estratégia eleitoral do PT.
Outro episódio que alimentou críticas de cristãos foi o desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026, que homenageou Lula e incluiu uma ala chamada “Neoconservadores em conserva”, satirizando símbolos ligados à família tradicional. A apresentação provocou reação de lideranças religiosas e conservadoras. A escola de samba não representa formalmente a campanha petista, mas a repercussão ampliou o desgaste do campo político de Lula entre setores cristãos.
É nesse cenário que a carta presidencial ganha peso eleitoral. A esquerda frequentemente defende pautas que entram em conflito com as convicções dos cristãos conservadores, especialmente em debates sobre família, costumes e educação. Agora, Lula tenta demonstrar proximidade com esse público por meio de uma mensagem que invoca justamente a fé e a proteção divina.
A contradição alimenta a percepção de hipocrisia entre críticos do presidente: quando precisa conquistar votos, Lula enfatiza Deus e a família; quando setores ligados ao seu campo político provocam controvérsias com símbolos cristãos ou conservadores, a reação é vista por esses críticos como insuficiente. A carta evidencia o esforço eleitoral para reduzir a distância entre o PT e um segmento importante do eleitorado religioso.




