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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026
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Flávio abre sigilos ao TSE e cobra Lula por gastos do cartão corporativo presidencial

Candidato do PL autorizou divulgação de dados bancários e telefônicos e exige transparência sobre despesas da Presidência e visitas ao gabinete de Lula.

Foto: André Borges/EFE

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta sexta-feira (23), autorizações para divulgar seus dados bancários e telefônicos. Na mesma manifestação, cobrou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a divulgação dos gastos com o cartão corporativo da Presidência e dos registros de visitas ao gabinete presidencial.

A iniciativa ocorre após as campanhas dos dois candidatos concordarem em autorizar a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos. A discussão começou durante o debate da TV Bandeirantes, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a tornar públicas suas informações financeiras.

A autorização, porém, não significa que os dados já tenham sido divulgados. As equipes ainda divergem sobre o cumprimento das condições acordadas e sobre quais informações devem ser incluídas no procedimento.

Flávio cobra transparência sobre dinheiro público

Na petição apresentada ao TSE, a defesa de Flávio argumentou que a transparência deve alcançar também as despesas custeadas com recursos públicos. O candidato voltou a cobrar a divulgação dos gastos do cartão corporativo presidencial e dos registros de entrada de pessoas no gabinete de Lula.

A cobrança se apoia em dados de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), citada pela campanha, segundo a qual 99,55% dos gastos com o cartão corporativo da Presidência entre janeiro de 2023 e abril de 2025 foram classificados como sigilosos ou reservados.

O percentual se refere à classificação das despesas no período analisado, não significando, por si só, que tenham sido identificadas irregularidades nos gastos. A campanha de Flávio sustenta, contudo, que o acesso às informações permitiria ao eleitor avaliar como o dinheiro público vem sendo utilizado.

O candidato também solicitou a divulgação dos registros de visitas ao gabinete presidencial. O tema ganhou relevância no debate político em meio a questionamentos da oposição sobre encontros de Lula com pessoas ligadas a investigações e controvérsias envolvendo o Banco Master.

Acordo entre as campanhas têm divergências

Na quinta-feira (22), representantes das campanhas de Lula e Flávio formalizaram uma autorização conjunta para a abertura de sigilos. O documento prevê o acesso a informações bancárias, fiscais e telefônicas dos candidatos e de pessoas e empresas mencionadas nos termos apresentados ao tribunal.

A campanha petista afirma que Lula aceitou as condições acordadas. Já a equipe de Flávio questiona se o material apresentado pelo adversário corresponde ao que havia sido combinado e defende que outras informações também sejam divulgadas.

Entre as exigências levantadas pelo candidato do PL estão dados relacionados ao Instituto Lula, a pessoas ligadas ao presidente e às despesas do cartão corporativo da primeira-dama, Janja da Silva. Esses pedidos ampliam o alcance da disputa para além dos sigilos pessoais dos dois candidatos.

O vice-presidente do TSE, ministro André Mendonça, afirmou que os próprios titulares podem autorizar a divulgação de seus dados protegidos, sem depender de uma autorização judicial para abrir mão do sigilo. A efetiva obtenção e publicação das informações, entretanto, ainda dependem dos procedimentos necessários.