Flávio aceita desafio de Lula sobre sigilos e exige transparência da família do presidente
Senador afirma que levará a proposta até as últimas consequências e condiciona a abertura de seus dados à divulgação de informações sobre Marcola, o Instituto Lula e os gastos do governo federal.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita o desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a abertura de sigilos, mas exigiu que a medida também alcance pessoas próximas ao petista e informações mantidas sob sigilo pelo governo federal.
Durante um ato de campanha em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, Flávio declarou que pretende levar a proposta adiante. “Eu não só vou aceitar o desafio como vou levar até as últimas consequências”, afirmou.
A discussão começou durante o debate presidencial da TV Bandeirantes, realizado no domingo (18), quando Lula desafiou o senador a autorizar a abertura de seus dados bancários, fiscais e telefônicos. O presidente, por sua vez, propôs divulgar informações equivalentes relativas a si próprio e a familiares.
Na terça-feira (20), a campanha de Lula formalizou a proposta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), condicionando a divulgação de seus dados à adesão de Flávio e de familiares.
Entre as exigências apresentadas pelo senador está a divulgação dos registros telefônicos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que chefiou o gabinete de Lula durante parte do atual mandato.
Flávio afirmou que o ex-assessor recebe ligações destinadas ao presidente e questionou sua relação com pessoas que buscam acesso ao governo federal.
“Então eu abro meu sigilo de telefone, sim, mas o Marcola tem que abrir o dele, concorda?”, declarou o senador.
Marcola deixou o cargo em julho de 2026. Segundo informações divulgadas pela imprensa, sua saída ocorreu em meio a questionamentos sobre pagamentos feitos a ele pela lobista Roberta Luchsinger, que mantém relações com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Flávio também voltou a questionar a evolução patrimonial e os negócios do filho do presidente. Durante o discurso, mencionou contratos de uma empresa com o governo federal e cobrou explicações sobre as relações empresariais de Lulinha.
O senador ainda exigiu a abertura das contas do Instituto Lula e fez referência a informações que, segundo ele, deveriam ser esclarecidas sobre recursos destinados a iniciativas ligadas ao presidente.
“Para eu abrir minhas contas, você tem que abrir as contas da sua família, do Instituto Lula”, afirmou.
As declarações fazem parte da troca de acusações entre os dois candidatos na reta final da campanha presidencial.
O parlamentar também cobrou a divulgação de informações sobre os gastos do cartão corporativo da Presidência e os registros de visitantes do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República.
Flávio mencionou a primeira-dama, Janja da Silva, ao questionar a existência de informações protegidas por sigilo relacionadas à rotina presidencial.
O senador também retomou o caso do sítio de Atibaia (SP), imóvel que esteve no centro de processos judiciais envolvendo Lula, e questionou a titularidade do patrimônio.
A proposta de abertura de sigilos ocorre a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). Até o momento, o desafio permanece vinculado às condições apresentadas pelas duas campanhas.




