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Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Lula diz que Janja enche o saco após pressão para gravar vídeos

Petista revelou cobrança diária da primeira-dama para produzir selfies e vídeos, enquanto campanha petista tenta mudar comunicação após derrota no primeiro turno

A primeira-dama Janja Lula da Silva em seu gabinete no Palácio do Planalto
A primeira-dama Janja Lula da Silva em seu gabinete no Palácio do Planalto Foto: Poder 360

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu nesta quarta-feira (7) que a primeira-dama Janja Lula da Silva tem insistido para que ele grave vídeos e selfies para as redes sociais. A declaração ocorreu durante um encontro com jovens políticos ligados ao PT e a partidos aliados, em meio à reformulação da estratégia de comunicação da campanha para o segundo turno.

Lula afirmou que não gosta de utilizar celular e que prefere falar apenas o essencial. Na sequência, revelou que recebe cobranças constantes para produzir conteúdo digital. “O pessoal me enche o saco. A Janja levanta todo dia: ‘Poxa, faz uma selfie’. Eu não gosto. Hoje, eu resolvi fazer”, afirmou o presidente.

A declaração ocorreu no mesmo dia em que Lula publicou um vídeo gravado em formato de selfie. A gravação foi feita depois de uma reunião com parlamentares jovens e teve como objetivo convocar a militância para intensificar a campanha no segundo turno. A mudança acontece depois de o petista terminar a primeira etapa da eleição atrás de Flávio Bolsonaro.

A própria campanha de Lula reconheceu que precisa mudar sua comunicação. Durante o encontro, o presidente afirmou que as redes sociais se tornaram fundamentais para a disputa eleitoral. Uma das jovens parlamentares presentes, Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), afirmou que o telefone representa atualmente uma espécie de “panfleto” da política. Segundo ela, houve um esforço para encontrar uma maneira de colocar Lula nas redes sem alterar completamente seu estilo.

O movimento também expõe uma dificuldade assumida pelo próprio PT. A campanha tradicional de Lula, construída durante décadas com televisão, palanques e estruturas partidárias, enfrenta o desafio de competir em um ambiente dominado por vídeos curtos, influenciadores e comunicação direta entre candidato e eleitor.

A situação ficou ainda mais evidente depois de Lula reclamar publicamente da organização de sua própria campanha. Em outra fala realizada no mesmo dia, o presidente afirmou que a campanha de 2026 foi a “menos organizada” de que participou desde 1989. A transmissão chegou a ser disponibilizada pelo PT, mas acabou retirada do ar durante a fala.

Agora, o partido tenta acelerar a reação. Lula publicou uma série de conteúdos nas redes, apareceu ao lado de parlamentares jovens e passou a fazer gravações diretamente para plataformas digitais. Segundo a Agência France-Presse, a equipe de campanha colocou as redes sociais no centro da estratégia depois do resultado do primeiro turno.

A disputa digital também deve ser marcada pela guerra de narrativas. Lula afirmou que seus aliados precisam reagir ao que considera informações falsas contra o governo e disse que “a facilidade que eles têm de contar mentira é muito grande”. A declaração mostra que o PT pretende transformar as redes em uma das principais frentes do segundo turno.

O episódio envolvendo Janja, portanto, acabou revelando mais do que uma reclamação informal de Lula. O presidente admitiu que resiste ao formato de comunicação digital e que precisou ser cobrado pela própria equipe para adotá-lo. A poucos dias do início da nova etapa da disputa, o PT tenta corrigir uma estratégia que o próprio candidato reconheceu ter sido mal organizada no primeiro turno.