Mensagens revelam presente de R$ 500 mil em uísque de Vorcaro para Lula
Conversas obtidas pela VEJA indicam que o banqueiro encomendou uma garrafa rara para o presidente enquanto buscava interlocução com o governo federal.
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, indicam que o banqueiro organizou a compra de uma garrafa de uísque avaliada em cerca de R$ 500 mil para presentear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi publicada pela revista VEJA nesta quinta-feira (22), com base em conversas atribuídas a Vorcaro e a funcionários.
O produto seria um Macallan 1945, uísque escocês raro cujo ano de fabricação coincide com o nascimento de Lula. Segundo a reportagem, em 29 de outubro de 2024, Vorcaro pediu a um assistente que procurasse a garrafa em Londres e afirmou que precisava entregá-la ao presidente. Após receber uma imagem do produto e a informação de que custaria mais de 80 mil euros, o banqueiro autorizou a compra. A garrafa teria sido transportada de Dubai para o Brasil.
A publicação relata ainda que, em mensagens posteriores, o advogado Walfrido Warde informou a Vorcaro que Lula havia agradecido pelo uísque e mandado um abraço. Em entrevista recente, ao ser questionado sobre o presente, Lula respondeu: “Eu não sei se deu, mas se deu, já bebi”.
Presente ocorreu durante tentativa de aproximação com o governo
Na época, Vorcaro buscava ampliar os negócios do Banco Master e estabelecer interlocução com integrantes do governo federal. A reportagem afirma que Warde atuava como advogado do banqueiro e intermediava contatos com autoridades do Planalto.
Em setembro de 2024, segundo as mensagens publicadas, Warde comunicou a Vorcaro que havia se reunido com Lula e que a conversa seria importante para os interesses do empresário. Em novembro, novas mensagens mencionavam articulações para encontros com o presidente. Lula recebeu Vorcaro em uma reunião fora da agenda oficial em 4 de dezembro daquele ano.
O encontro ocorreu enquanto o Banco Master buscava oportunidades de negócios e enfrentava questionamentos sobre suas operações. De acordo com a VEJA, Vorcaro também contratou o ex-ministro Guido Mantega como consultor e procurava ampliar a atuação da instituição junto a fundos de pensão e entidades financeiras.
A existência de contatos entre o banqueiro e integrantes do governo, por si só, não comprova favorecimento ilegal. A questão levantada pela reportagem é a natureza do presente, seu valor e o contexto em que foi oferecido, enquanto o empresário buscava interlocução política e oportunidades comerciais.
Regras sobre presentes a autoridades entram no debate
Um presente estimado em meio milhão de reais levanta questões sobre os limites éticos aplicáveis a autoridades públicas. As regras que disciplinam o recebimento de brindes e presentes por agentes do Executivo buscam evitar conflitos de interesse e situações que possam comprometer a imparcialidade da administração.
A avaliação jurídica depende de fatores como a natureza do presente, as circunstâncias da entrega, as regras aplicáveis ao caso e a existência de eventual contrapartida. As mensagens divulgadas pela revista constituem elementos relevantes para examinar a situação, mas não equivalem, isoladamente, a uma decisão judicial sobre irregularidade.
Lula diz que o uísque já foi consumido
Questionado sobre a garrafa, Lula afirmou que, se a recebeu, já a consumiu. A reportagem da VEJA apresenta as mensagens como evidência de que Vorcaro organizou a compra com a intenção de presentear o presidente e de que, posteriormente, recebeu de Warde a informação de que Lula havia agradecido.
O caso acrescenta um novo capítulo às discussões sobre a relação entre o Banco Master e autoridades políticas. Para determinar eventuais consequências administrativas ou criminais, será necessário examinar as circunstâncias da entrega, as regras aplicáveis e outros elementos que possam confirmar ou afastar suspeitas de favorecimento.




