Lula promete ônibus “gratuito” e joga a conta no colo do contribuinte brasileiro
A dez dias do segundo turno, presidente anuncia passe livre nos fins de semana, mas pretende financiar a medida com emendas parlamentares, dinheiro que também sai do orçamento público
Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que pretende enviar ao Congresso uma PEC para instituir transporte público gratuito aos fins de semana em todas as cidades brasileiras que tenham serviço coletivo. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (15), a dez dias do segundo turno presidencial. A proposta ainda precisa ser apresentada e aprovada pelo Congresso.
O detalhe que a propaganda política tenta deixar em segundo plano é simples: transporte gratuito para o passageiro não significa transporte sem custo. Ônibus precisam de combustível, motoristas, manutenção, renovação de frota e infraestrutura. Se a tarifa deixar de pagar parte dessas despesas, alguém terá de cobrir a diferença. E, quando a conta vai para o poder público, o dinheiro vem dos impostos ou de recursos que deixam de financiar outras prioridades.
Lula afirmou que pretende compartilhar o financiamento com as emendas parlamentares. Mas emenda não é dinheiro que brota do chão, muito menos um cheque pessoal dos deputados e senadores. São recursos do orçamento público, abastecido pela arrecadação e disputado por diferentes áreas. Usá-los para subsidiar passagens continua sendo uma escolha sobre como gastar o dinheiro do contribuinte.
O anúncio também chega em plena reta final da campanha, depois de uma série de promessas e medidas voltadas a diferentes grupos de eleitores. Lula vinculou o passe livre à aprovação do fim da escala 6x1 e à ideia de oferecer mais lazer às famílias. O apelo é fácil de vender: quem não gostaria de andar de ônibus sem pagar? A pergunta que falta responder é quanto custará o programa, como será dividido o financiamento entre União e municípios e quais despesas poderão perder recursos para bancá-lo.
O contribuinte não precisa de uma aula de economia para entender o princípio: a conta não desaparece só porque o governo chama algo de gratuito. Se a proposta avançar sem estimativas transparentes de custo e sem uma fonte sustentável de financiamento, o discurso de benefício pode esconder mais pressão sobre o orçamento. Antes de prometer passe livre em todo o país, Lula precisa explicar quem paga, quanto paga e o que deixará de ser financiado para que a promessa saia do papel.




