PF investiga suspeita de propina para incluir Banco Master em lista do governo Lula
Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro apontam pedidos de pagamentos para habilitar o banco a captar recursos de fundos previdenciários de estados e municípios.
A Polícia Federal investiga suspeitas de pagamento de propina para viabilizar a inclusão do Banco Master na Lista Exaustiva do Ministério da Previdência, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo reportagem da Revista Oeste publicada nesta sexta-feira (23), mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro registram propostas de pagamentos para facilitar a entrada da instituição na relação oficial em 2024.
Nas conversas, operadores teriam mencionado valores entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão para viabilizar a inclusão. Um operador ouvido pela revista Veja, sob condição de anonimato, afirmou que o pagamento final teria chegado a R$ 15 milhões. Esse valor é atribuído ao relato do interlocutor e não deve ser tratado como quantia comprovada pela investigação.
Inclusão permitiu acesso a recursos previdenciários
A Lista Exaustiva reúne instituições financeiras que atendem a critérios normativos para receber investimentos de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), vinculados a estados e municípios. A inclusão do Banco Master ampliou as possibilidades de captação de recursos dessas entidades, que administram reservas destinadas ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos.
O Ministério da Previdência incluiu o Master na relação em maio de 2024. Segundo a reportagem, a articulação envolveu diretores do banco, o político baiano ACM Neto e Carlos Lupi, que ocupava o cargo de ministro da Previdência. A menção a essas articulações não comprova, por si só, que os citados tenham participado de eventual pagamento ilegal.
De acordo com a publicação, Vorcaro e seus auxiliares consideravam urgente a entrada na lista, pois ela poderia abrir novas oportunidades de captação em um período de dificuldades financeiras para a instituição.
PF apura as conversas e os pagamentos suspeitos
As mensagens encontradas no aparelho de Vorcaro são parte dos elementos que motivaram a apuração. Os investigadores buscam esclarecer se houve pagamento de vantagem indevida e se eventuais intermediários atuaram para influenciar a inclusão do banco na relação oficial.
A investigação ocorre em meio a outras suspeitas envolvendo as operações do Banco Master e as relações do ex-banqueiro com agentes políticos. A existência de contatos ou articulações para tratar de assuntos regulatórios, entretanto, não comprova automaticamente a prática de corrupção. É necessário estabelecer a natureza dos pagamentos, os destinatários e a eventual relação entre os valores e decisões administrativas.
O caso também levanta questões sobre a segurança dos recursos previdenciários públicos. A autorização para uma instituição integrar a lista não substitui a responsabilidade dos gestores dos regimes previdenciários de avaliar os riscos, a solidez financeira e a adequação de cada investimento. O próprio Ministério da Previdência ressalta que a inclusão não dispensa a análise independente das aplicações.
Banco Master foi retirado da lista em 2026
A relação oficial foi atualizada durante o governo Lula e incluiu o Banco Master em duas versões, segundo a Revista Oeste. A instituição acabou retirada da lista em fevereiro de 2026.
A apuração da Polícia Federal deverá esclarecer se as propostas registradas nas mensagens resultaram em pagamentos e se houve participação de agentes públicos ou intermediários. Até que os fatos sejam comprovados, os valores mencionados e as possíveis responsabilidades devem ser tratados como suspeitas em investigação, e não como condenações ou fatos definitivamente estabelecidos.




