PGR defende diretor da PF enquanto Gonet é citado no caso Banco Master
Paulo Gonet contestou o afastamento de Andrei Rodrigues, embora seu próprio nome apareça em materiais relacionados à investigação sobre o Banco Master
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Paulo Gonet afirmou que faltam evidências concretas para justificar a medida.
O posicionamento ocorre em meio à controvérsia sobre a atuação do próprio procurador-geral no caso Master. Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e relatórios da Polícia Federal mencionam Gonet. A Associação Nacional dos Delegados da PF pediu que ele se declarasse impedido de atuar em procedimentos relacionados a fatos nos quais é citado.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal rejeitou, em setembro, pedidos de abertura de investigação criminal contra Gonet, por entender que não havia elementos mínimos para caracterizar prevaricação. O colegiado também não analisou o pedido de suspeição, por considerar que não tinha competência para decidir a questão.
Andrei Rodrigues e Leandro Almada haviam sido afastados por decisão do ministro André Mendonça, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras e suspeitas de corrupção relacionadas ao Banco Master. Gonet sustentou que a posição hierárquica dos dirigentes não basta para responsabilizá-los sem evidências específicas de participação em atos ilícitos.
A manifestação coloca em evidência uma questão delicada: a atuação da PGR em uma investigação que envolve referências ao próprio procurador-geral. Embora não haja confirmação de que Gonet seja formalmente investigado, os questionamentos sobre sua imparcialidade aumentam a pressão por transparência na condução do caso.




