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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026
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Política

Vorcaro depõe à PF sobre negócio bilionário com BRB sob suspeita de fraude

Investigadores apuram transferências de R$ 16,7 bilhões ao grupo Master, incluindo R$ 12,2 bilhões em operações com indícios de fraude, e suspeita de propina

Foto: Reprodução/Times Brasil

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, presta novo depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (15) sobre as negociações para a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). Preso preventivamente em Brasília, ele deve ser ouvido por videoconferência. A investigação busca esclarecer como foram conduzidas as operações entre as duas instituições e quem participou das decisões que colocaram bilhões de reais sob suspeita.

Segundo a investigação, entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB transferiu cerca de R$ 16,7 bilhões ao grupo Master. Desse montante, R$ 12,2 bilhões estão associados a operações com indícios de fraude. Os números colocam em evidência a dimensão do caso e levantam questionamentos sobre os controles adotados pelo banco público em uma negociação de tamanho impacto financeiro.

Um dos principais investigados é Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, também preso preventivamente. Mensagens recuperadas pela PF indicam contato frequente entre ele e Vorcaro para tratar de operações financeiras. Os investigadores apuram ainda a suspeita de que Costa teria recebido uma oferta de imóveis avaliados em aproximadamente R$ 150 milhões para facilitar o negócio. A hipótese de propina está sob investigação e ainda precisa ser comprovada.

O caso também alcança o ambiente político do Distrito Federal. Relatórios da PF citados pela CNN apontam que o então governador Ibaneis Rocha (MDB) teria atuado diretamente nas articulações para a compra do Master pelo BRB, incluindo decisões sobre capitalização e operações estratégicas. A defesa de Ibaneis nega que ele tenha pressionado ou interferido nas operações do banco.

Vorcaro afirmou, por meio de uma carta divulgada por seu advogado, que pretende colaborar com as investigações e prestar esclarecimentos de forma objetiva e transparente. O depoimento desta quinta-feira já havia sido adiado duas vezes, após a defesa alegar que não tinha acesso aos autos para preparar o interrogatório. A PF também pretende ouvir Paulo Henrique Costa sobre as negociações.

O caso exige respostas sobre a governança de uma instituição pública e sobre a segurança de operações que movimentaram bilhões de reais. Se as suspeitas forem confirmadas, será necessário apurar responsabilidades e eventuais prejuízos. Por enquanto, a investigação continua, e os depoimentos podem ajudar a esclarecer como a negociação avançou, quem tomou as decisões e se houve favorecimento indevido.