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Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Casas Bahia reduz estoque e perde 4,6 mil funcionários durante crise financeira

Perícia judicial aponta redução de 40,5% nos estoques, queda nas vendas digitais e retração no quadro de funcionários da varejista

Fachada das Casas Bahia
Fachada das Casas Bahia Foto: Arquivo/Jonathan Campos/Tribuna do Paraná

A crise financeira da Casas Bahia começa a aparecer de forma mais evidente na operação da varejista. Uma perícia judicial realizada a pedido da Justiça de São Paulo apontou redução de 40,5% no valor dos estoques entre abril e agosto de 2026, além de uma queda de 4.647 pessoas no quadro de funcionários somente durante agosto.

Segundo o laudo elaborado pela ACFB Administração Judicial, o estoque utilizado como garantia aos credores caiu de R$ 3,18 bilhões, em abril, para R$ 1,89 bilhão em agosto. Em quantidade de produtos, a redução foi de 25,2%, chegando a aproximadamente 4,3 milhões de unidades. O valor médio dos itens armazenados também recuou 20,5% no período.

O quadro de funcionários apresentou uma redução igualmente significativa. A empresa tinha 29.737 trabalhadores em 3 de agosto e passou a registrar 25.090 no dia 28, uma diferença de 4.647 pessoas, equivalente a uma retração de 15,6%. A própria perícia, porém, ressalva que os dados disponíveis não permitem determinar quanto dessa diferença corresponde especificamente a demissões, transferências ou outras movimentações internas.

A análise também identificou sinais de retração em parte da estrutura física da companhia. Os peritos visitaram 744 lojas e 29 centros de distribuição. Nas lojas em funcionamento, não foi constatado desabastecimento perceptível nos mostruários, mas alguns centros logísticos apresentaram estoques reduzidos e áreas ociosas. Em nove lojas e três centros de distribuição foram identificadas atividades consideradas irregulares.

Outro indicador preocupante aparece no comércio eletrônico. Entre julho e agosto, o valor transacionado nas vendas digitais caiu 35,3%. O número de pedidos também recuou de 1.068.648 para 706.335, uma redução de 33,9%. Apesar da queda, sete compras realizadas pelos próprios peritos foram entregues dentro dos prazos informados pela empresa.

A situação ocorre enquanto a Casas Bahia tenta avançar em seu processo de recuperação judicial. A companhia acumula aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e atribui a deterioração financeira aos juros elevados, à restrição de crédito e à pressão sobre o consumo. A empresa já anunciou o fechamento de quase 300 lojas e a demissão de cerca de 3 mil trabalhadores no processo de reestruturação.

Mesmo diante da retração, a perícia constatou que a operação continua ativa na maior parte da rede. Das 744 lojas visitadas, 735 estavam funcionando, enquanto 25 dos 29 centros de distribuição permaneciam em atividade. A fábrica Bartira e o comércio eletrônico também continuavam operando.

O cenário, portanto, combina uma pesada crise financeira com sinais de redução da capacidade operacional. A recuperação judicial será decisiva para definir como a Casas Bahia pretende reorganizar suas dívidas, preservar suas atividades e recuperar espaço em um dos setores mais competitivos do varejo brasileiro.