Pular para o conteúdo
Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Em alta
Negócios

Dólar dispara 12% após eleição e Bolsa brasileira interrompe operações

Moeda americana chegou a R$ 5,60 na manhã desta segunda-feira, enquanto o Ibovespa caiu 10% e acionou o mecanismo de interrupção das negociações.

Foto: Magnific

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou forte reação nos mercados financeiros nesta segunda-feira, 26 de outubro. O dólar avançou 12,25%, chegando a R$ 5,60 por volta das 9h40, enquanto ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos registraram perdas expressivas. Na abertura da Bolsa brasileira, a queda do Ibovespa atingiu 10%, acionando o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte oscilação.

Na última sexta-feira, 23 de outubro, antes do segundo turno presidencial, o dólar havia fechado em R$ 4,9930, com queda de 0,90%. No mesmo pregão, o Ibovespa avançou 0,47%, encerrando aos 205.083 pontos. A mudança de direção ocorreu após o resultado eleitoral contrariar as expectativas de parte dos investidores, que consideravam possível a vitória de Flávio Bolsonaro (PL).

Ações brasileiras registram perdas no exterior

A reação negativa também atingiu empresas brasileiras negociadas em Nova York. Na pré-abertura do mercado americano, o fundo de índice EWZ, que acompanha ações brasileiras, recuava mais de 26%, segundo dados divulgados na manhã desta segunda-feira.

Entre os papéis com maiores perdas estavam os de instituições financeiras. Na pré-abertura, Bradesco e Itaú registraram quedas próximas de 29% e 27%, respectivamente. As ações da Petrobras também recuaram mais de 23% naquele momento. As variações ocorreram em negociações anteriores à abertura regular de Wall Street e podem diferir dos preços registrados ao longo do pregão.

O movimento refletiu uma revisão das posições dos investidores após a confirmação do resultado eleitoral. Entre as principais preocupações citadas por analistas estão a trajetória das contas públicas, o controle das despesas governamentais, o crescimento da dívida e as perspectivas para os juros nos próximos anos.

Bolsa aciona mecanismo de proteção

Com a queda de 10% do Ibovespa em relação ao fechamento anterior, a B3 interrompeu as negociações por 30 minutos. O mecanismo busca reduzir a volatilidade e permitir que os participantes do mercado reavaliem as informações antes da retomada das operações.

A bolsa também ampliou excepcionalmente os limites de oscilação dos contratos futuros de dólar e minidólar para a sessão desta segunda-feira. A medida buscou acomodar a volatilidade no mercado cambial, em meio aos movimentos intensos registrados desde a noite de domingo.

Política fiscal entra no radar dos investidores

A reação dos mercados ocorre em meio às expectativas sobre a condução econômica do próximo mandato de Lula. Investidores acompanham possíveis decisões sobre gastos públicos, metas fiscais e composição da equipe econômica.

A desvalorização do real também pode pressionar os preços de produtos e insumos importados, com possíveis efeitos sobre a inflação. A evolução dos juros futuros será outro indicador relevante, pois mudanças nas expectativas inflacionárias e fiscais podem influenciar as decisões de política monetária.

Apesar da intensidade dos movimentos desta segunda-feira, as cotações observadas nas primeiras horas não determinam, por si só, o comportamento dos ativos nas próximas semanas. A reação dependerá, entre outros fatores, das sinalizações do governo sobre a política econômica e das condições dos mercados internacionais.

Os números apresentados correspondem a registros divulgados durante a manhã de 26 de outubro de 2026 e podem mudar ao longo do pregão.