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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026
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Negócios

Fim da escala 6x1 pode encarecer produtos e pressionar economia após vitória eleitoral de Lula

Entidades empresariais projetam alta de preços, aumento dos custos de produção e riscos para empregos e investimentos após aprovação da jornada de 40 horas

Foto: Reprodução/Abifa

A aprovação do fim da escala 6x1 no Senado já provoca alertas do setor produtivo. Entidades da indústria, do comércio e da construção civil afirmam que reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuir salários, pode elevar custos operacionais e pressionar os preços pagos pelos brasileiros. A proposta foi aprovada em dois turnos no dia 14 de outubro, a poucos dias do segundo turno presidencial.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a mudança pode elevar em R$ 267,2 bilhões os custos industriais e provocar uma retração de 0,7% no PIB, equivalente a R$ 76,9 bilhões. A entidade também projeta alta média de 6,2% nos preços ao consumidor, com aumentos de 5,7% nas compras de supermercado e de até 6,6% em roupas e calçados. Os números são estimativas da CNI e dependem das condições em que a nova jornada for implementada.

O impacto pode ultrapassar as fábricas. A Abrasel, que representa bares e restaurantes, estima que seriam necessários mais 3 milhões de profissionais para manter a oferta atual de serviços diante da redução da jornada. Na construção civil, a Abrainc projeta aumento de 5,5% nos preços dos imóveis e alerta que até 2,5 milhões de famílias poderiam perder acesso ao financiamento habitacional nesse cenário.

O risco econômico está na diferença entre reduzir horas trabalhadas e manter a mesma capacidade de produção. Se os ganhos de produtividade não compensarem o tempo reduzido, empresas poderão contratar mais funcionários, reorganizar operações, limitar o atendimento ou repassar custos ao consumidor. Negócios menores, com margens apertadas, podem ter menos espaço para absorver a mudança. Isso não significa que todos esses efeitos ocorrerão necessariamente, mas evidencia por que a transição exige planejamento e avaliação por setor.

O debate também tem dimensão política. O fim da escala 6x1 é uma das principais bandeiras de Lula, e a aprovação próxima ao segundo turno oferece ao governo uma vitória de grande apelo popular. O problema é transformar uma reforma trabalhista estrutural em troféu eleitoral sem que haja consenso sobre seus efeitos na inflação, no emprego e na competitividade. O benefício político aparece imediatamente; eventuais custos econômicos podem se distribuir ao longo dos próximos anos.

Trabalhadores merecem descanso e melhores condições de vida. Mas uma política pública precisa considerar também o poder de compra, a manutenção dos empregos e a capacidade das empresas de continuar operando. Se a redução da jornada não vier acompanhada de produtividade e de uma implementação bem planejada, parte da conta poderá chegar justamente às famílias que a medida pretende beneficiar.