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Quarta-feira, 28 de outubro de 2026
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Negócios

Dólar recua, mas Bolsa prolonga perdas após reeleição de Lula

Moeda americana caiu 1,07% e fechou a R$ 5,349 em 27 de outubro, enquanto o Ibovespa perdeu mais 0,51% em meio à incerteza fiscal.

Foto: Reprodução/InfoMoney

O mercado financeiro brasileiro apresentou movimentos distintos no segundo pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na terça-feira (27 de outubro de 2026), o dólar à vista recuou 1,07%, encerrando a sessão a R$ 5,349. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 0,51%, aos 175.710,05 pontos. Os números foram divulgados pela Agência Brasil.

A queda da moeda americana representou um alívio parcial depois da disparada registrada na segunda-feira (26), quando o dólar subiu 8,21%, para R$ 5,403. Na mesma sessão, o Ibovespa despencou 13,88%, aos 176.608,23 pontos, e chegou a acionar o mecanismo de circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações diante de perdas acentuadas.

O pregão de terça-feira, portanto, não confirmou uma recuperação generalizada dos ativos brasileiros. Enquanto o câmbio devolveu parte da alta anterior, a Bolsa prolongou as perdas. O movimento manteve no radar dos investidores as incertezas sobre a condução econômica do próximo mandato presidencial.

Dólar cai, mas choque anterior permanece no radar

A moeda americana chegou a R$ 5,316 durante a manhã de terça-feira, antes de encerrar o dia a R$ 5,349. A movimentação foi interpretada como um ajuste de posições após a forte valorização da véspera.

É importante distinguir o dólar à vista, negociado no mercado cambial, da taxa PTAX, calculada pelo Banco Central a partir de consultas realizadas ao longo do dia e utilizada como referência em operações financeiras. O valor de R$ 5,349 corresponde ao fechamento do dólar à vista informado pela Agência Brasil, não à PTAX.

Apesar da queda de terça-feira, o recuo isolado não comprova uma normalização duradoura do mercado. Para avaliar uma tendência, será necessário observar os próximos pregões e as sinalizações do governo sobre a política fiscal, o controle das despesas e a composição da equipe econômica.

Ibovespa mantém perdas após queda histórica

A Bolsa brasileira voltou a fechar no vermelho mesmo com o alívio cambial. O Ibovespa encerrou a terça-feira aos 175.710,05 pontos, com baixa de 0,51%. A queda ocorreu em uma sessão marcada por cautela e ajustes nas carteiras de investimento.

Entre os fatores que pressionaram o índice esteve o recuo do petróleo Brent, que caiu 1,20%, para US$ 109,41 por barril. As ações da Petrobras também recuaram, contribuindo para o desempenho negativo da Bolsa.

O mercado aguarda maior clareza sobre a política econômica do próximo governo, especialmente a definição do ministro da Fazenda e os compromissos com as metas fiscais. O ministro Dario Durigan afirmou que o governo pretende perseguir o centro da meta fiscal e discutir a proposta com o Congresso Nacional. As declarações, contudo, ainda precisam ser acompanhadas de medidas concretas para que os investidores avaliem seus efeitos.

O que o câmbio significa para a economia do Paraná

As oscilações do dólar também têm consequências para empresas e consumidores paranaenses. Um dólar mais caro pode elevar, em reais, a receita de exportadores que recebem em moeda estrangeira, favorecendo setores ligados ao agronegócio e à indústria exportadora. Por outro lado, também encarece insumos importados, máquinas, equipamentos e componentes utilizados na produção.

Para empresas que dependem de importações, a queda do dólar pode reduzir parte desses custos. Já os exportadores podem receber menos reais pela mesma receita em moeda americana. O efeito concreto depende dos contratos, dos custos de produção e do grau de exposição de cada negócio ao mercado externo.

O fechamento de 27 de outubro mostra, assim, dois movimentos simultâneos: uma correção parcial do câmbio e a continuidade das perdas na Bolsa. O comportamento dos próximos pregões, junto às decisões sobre a política fiscal e a equipe econômica, será decisivo para avaliar se o mercado encontrará maior estabilidade após a turbulência eleitoral.