As quatro pautas econômicas prioritárias para o novo Governo
Dívida pública, juros elevados, endividamento das famílias e insegurança jurídica estão entre os principais desafios econômicos que a nova gestão precisará enfrentar.
Abordamos hoje quatro pautas de elevada importância com as quais o Governo terá de lidar antes do início da nova gestão.
Dívida Pública e Política Fiscal
A primeira pauta diz respeito à dívida pública, que se encontra fora de controle. Conforme mencionado anteriormente, a soma da amortização da dívida com os juros ascende atualmente a cerca de 8,6% do PIB, o que representa um volume significativo. Com a taxa de juros em patamares elevados, o endividamento continua em trajetória crescente, ultrapassando a marca de 80% do PIB.
Durante o processo eleitoral, foram assumidos mais de 380 bilhões de reais em novos compromissos financeiros. A cobertura dessas despesas exigirá fontes de financiamento, seja por meio de reorientação de políticas e cortes de gastos, seja pelo aumento da arrecadação.
Nesse sentido, anunciou-se recentemente a entrada em vigor do "Imposto sobre o Pecado", que prevê maior tributação sobre bebidas, cigarros e veículos. Quanto à contenção de despesas, o Governo ainda não definiu quais iniciativas serão objeto de corte para compensar os compromissos assumidos.
Manutenção de Juros Elevados e Inflação
O segundo ponto refere-se à manutenção de juros altos. O crescimento contínuo da dívida e o aumento da incerteza geram obstáculos à redução das taxas de juros.
Com a recente valorização da bolsa e a subida do dólar, projeta-se uma pressão inflacionária mais acentuada para os próximos meses. Em um cenário de inflação elevada, não subsiste margem para a redução dos juros, podendo mesmo ser necessárias novas elevações, à semelhança do ocorrido em períodos anteriores.
Endividamento das Famílias
A terceira pauta aborda o endividamento recorde das famílias. A renda disponível revela-se insuficiente para fazer frente ao poder de consumo, cenário agravado pela ampla oferta de crédito acompanhada de taxas de juros elevadas.
Atualmente, existem mais de 200 instituições financeiras disponibilizando crédito no mercado. Perante o encarecimento do custo de vida e a pressão orçamentária, muitas famílias recorrem a empréstimos com taxas que atingem 6% ao mês, ou ao parcelamento do cartão de crédito, cujos juros podem ultrapassar 10% ao mês.
Essa dependência do crédito decorre da perda de capacidade de pagamento com os rendimentos ordinários, levando muitos trabalhadores a assumirem duplas ou triplas jornadas de trabalho. As medidas de renegociação ou perdão de dívidas possuem eficácia temporária, uma vez que, sem alterações estruturais, o consumidor volta a se endividar.
Insegurança Jurídica
Por fim, destaca-se a questão da insegurança jurídica. Decisões divergentes no âmbito do Judiciário ao longo dos últimos anos têm alimentado discussões sobre a estabilidade do ambiente de negócios no país. A insegurança jurídica resulta em incerteza, o que, por sua vez, contribui para a elevação da inflação, aumento dos juros e retração dos investimentos.
Em suma, o déficit fiscal, o crescimento da dívida pública, a manutenção de juros elevados, o endividamento das famílias e a insegurança jurídica constituem os eixos centrais do debate econômico atual.




