CEO do Millenium acusa PT de aparelhar instituições para tomar o poder
Ricardo Gomes defende uma oposição mais organizada no Congresso e afirma que a direita precisa construir uma estratégia de longo prazo para enfrentar o PT.
O CEO do Instituto Millenium, Ricardo Gomes, acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) de aparelhar instituições brasileiras para ampliar e consolidar seu poder político. Em análise sobre o cenário posterior às eleições de 2026, o executivo defendeu que a direita reorganize suas forças e construa uma oposição capaz de fazer frente ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“O PT pode tudo porque o PT aparelhou tudo. E o PT aparelhou para usar”, afirmou Gomes, conforme reportagem da Revista Oeste publicada em 27 de outubro. A declaração resume sua avaliação de que o partido teria utilizado sua influência sobre instituições e estruturas do Estado para favorecer seus objetivos políticos.
Gomes também criticou medidas adotadas antes da votação, entre elas a antecipação de pagamentos do Bolsa Família. Na avaliação dele, a direita precisa analisar os fatores que determinaram o resultado eleitoral e compreender como o PT conseguiu manter sua força política.
Para o executivo, insistir apenas em discussões sobre a anulação do resultado não resolve o problema estratégico da oposição. O caminho, segundo ele, passa pela reorganização das forças políticas que se opõem ao governo e pela construção de uma atuação coordenada nos próximos anos.
Direita precisa transformar votos em força política
Ricardo Gomes defendeu uma reflexão sobre as divergências existentes entre liberais e conservadores. Na avaliação dele, a direita brasileira reúne grupos com diferenças de pensamento e prioridades, mas precisa encontrar pontos de convergência para atuar de forma conjunta.
O executivo também destacou a importância de Jair Bolsonaro para o conservadorismo brasileiro. Para Gomes, a construção de uma alternativa política competitiva exige articulação entre diferentes correntes da direita, capacidade de diálogo e uma estratégia que vá além de disputas imediatas.
A disputa presidencial de 2030 aparece nesse horizonte. Gomes considera necessário transformar a presença conservadora no eleitorado e no Legislativo em um projeto político consistente, capaz de disputar o comando do país e oferecer uma alternativa ao PT.
Congresso como contrapeso ao governo
Outro ponto central da análise é a atuação parlamentar. Gomes defendeu uma oposição organizada no Congresso Nacional, com disposição para exercer suas prerrogativas constitucionais e fiscalizar as ações do Executivo. Também ressaltou a importância de o Legislativo funcionar como contrapeso às decisões do governo e do Judiciário.
O argumento é que a fragmentação da oposição pode reduzir sua capacidade de influenciar decisões e enfrentar iniciativas do governo Lula. Para o CEO do Instituto Millenium, a direita precisa ampliar alianças, definir prioridades comuns e estabelecer uma estratégia duradoura.
Gomes ainda alertou para o risco de agravamento do que classificou como autoritarismo do governo petista caso a oposição não consiga se organizar. Essa avaliação faz parte de sua crítica política ao atual cenário institucional brasileiro.
A declaração coloca em evidência um debate importante para os próximos anos: como a oposição pretende atuar diante do governo federal, fortalecer sua representação parlamentar e construir um projeto nacional. Para Gomes, o primeiro passo é reconhecer as dificuldades, superar divisões internas e transformar a articulação política em ação coordenada no Congresso.




