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Quarta-feira, 28 de outubro de 2026
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Política

Exército de Lula: novos comandantes servirão ao Brasil ou ao projeto petista?

Mudança na cúpula militar abre espaço para uma nova geração de oficiais, mas também exige transparência e compromisso com a independência partidária das Forças Armadas.

Foto: Gabriela Biló/Folhapress

A possível renovação do comando das Forças Armadas no governo Lula levanta uma questão essencial para o futuro das instituições militares: os novos chefes estarão comprometidos com os interesses permanentes do Brasil ou com as prioridades políticas do governo que os nomear?

Segundo reportagem de O Globo, publicada em 28 de outubro, o presidente avalia mudanças nos comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para o início de 2027. A troca abriria espaço para que as três forças fossem chefiadas por oficiais que iniciaram a carreira após o fim do regime militar. O atual comandante do Exército, general Tomás Paiva, também é cotado para assumir o Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Entre os nomes mencionados estão os generais Francisco Montenegro Júnior, Luciano Guilherme Pinheiro, Kleber de Vasconcelos e Hertz Pires do Nascimento, no Exército; os brigadeiros Walcyr de Castilho Araújo e Ary Soares Mesquita, na Aeronáutica; e os almirantes Arthur Fernando Bettega e Carlos Chagas Vianna Braga, na Marinha. A reportagem ressalta que a escolha final cabe ao presidente, que não é obrigado a seguir a ordem tradicional de antiguidade.

É justamente aí que começa o debate político. A prerrogativa presidencial de nomear os comandantes não elimina a obrigação de preservar a autonomia institucional das Forças Armadas. Em uma democracia, a confiança do presidente nos oficiais não pode se transformar em exigência de alinhamento ideológico, muito menos em instrumento para acomodar interesses partidários.

A pergunta que precisa ser feita é direta: quais valores orientarão essa nova cúpula? Patriotismo, soberania nacional, disciplina, hierarquia e fidelidade à Constituição devem estar acima das preferências de qualquer governo. A formação de uma nova geração de comandantes, por si só, não comprova alinhamento à esquerda ou ao PT. Mas tampouco dispensa o questionamento público sobre os critérios de escolha, as posições institucionais e o compromisso dos indicados com a neutralidade partidária.

O artigo 142 da Constituição define as Forças Armadas como instituições nacionais permanentes e regulares, destinadas à defesa da Pátria e à garantia dos poderes constitucionais. A Constituição também proíbe a filiação partidária dos militares da ativa. A missão dessas instituições, portanto, não se confunde com a agenda de Lula, do PT ou de qualquer outra legenda.

Não se trata de exigir que os comandantes professem uma ideologia específica, mas de cobrar que não coloquem nenhuma ideologia acima do país. A mesma exigência vale para qualquer presidente: a autoridade constitucional para nomear os chefes militares não lhe concede o direito de transformar instituições de Estado em extensão de seu partido.

A renovação da cúpula militar deve ser acompanhada com atenção. Os brasileiros têm o direito de perguntar se os escolhidos defenderão os interesses nacionais com independência e profissionalismo. O Exército, a Marinha e a Aeronáutica pertencem ao Brasil. Não ao PT, não a Lula e não a qualquer projeto partidário.