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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
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Negócios

Efeito Lula: Ibovespa cai 16,8% após paralisação e bancos perdem R$ 249 bilhões

Bolsa brasileira registra queda expressiva após o resultado eleitoral, enquanto investidores cobram sinais de responsabilidade fiscal, controle da dívida e credibilidade da equipe econômica.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma forte reação no mercado financeiro nesta segunda-feira, 26 de outubro. Após a paralisação temporária das negociações, o Ibovespa chegou a cair 16,8%, enquanto o setor bancário sofreu perdas expressivas de valor de mercado. Segundo os números divulgados na cobertura do pregão, os bancos perderam R$ 249 bilhões em valor de mercado.

O movimento ocorreu no primeiro dia de negociações após a confirmação da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL). Parte dos investidores apostava em uma mudança de governo e em uma condução fiscal mais restritiva. Com o resultado eleitoral, o mercado passou a rever suas posições e a cobrar sinais concretos sobre os rumos da política econômica.

Bolsa interrompe negociações após queda acentuada

A B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as operações quando o Ibovespa atinge uma queda de 10% em relação ao fechamento anterior. A interrupção durou 30 minutos. Após a retomada, as perdas se aprofundaram, e o índice chegou à mínima de 169.516 pontos, recuo de 17,34%.

O dólar também disparou. Na manhã de segunda-feira, a moeda americana chegou a R$ 5,58, com alta superior a 11% em determinado momento. A valorização refletiu a revisão das expectativas dos investidores, que vinham considerando um cenário de mudança na orientação econômica do país.

As quedas atingiram diferentes setores, com destaque para empresas financeiras. Banco do Brasil, BTG Pactual, Bradesco, Itaú e Santander registraram perdas expressivas durante a sessão. A intensidade das oscilações levou ações a sucessivos leilões, procedimento utilizado para organizar negociações em momentos de volatilidade.

Política fiscal preocupa investidores

A principal preocupação do mercado está na trajetória das contas públicas. Investidores acompanham o crescimento das despesas governamentais, a evolução da dívida e a capacidade do próximo governo de cumprir metas fiscais. O receio é que dúvidas sobre o equilíbrio orçamentário mantenham o dólar e os juros pressionados, dificultando as condições de crédito para empresas e consumidores.

O Morgan Stanley avaliou que as ações brasileiras poderiam sofrer uma correção de 20% a 30% nas semanas seguintes, enquanto o dólar poderia alcançar a faixa de R$ 5,50 a R$ 5,70, com risco de chegar a R$ 6. Essas cifras representam cenários projetados pela instituição, não resultados já confirmados.

Equipe econômica entra no radar

A escolha do ministro da Fazenda e as futuras indicações para o Banco Central estarão entre os principais sinais acompanhados pelos investidores. A expectativa é que os nomes escolhidos e as primeiras medidas indiquem se o governo pretende conter o avanço das despesas e apresentar uma estratégia fiscal de longo prazo.

Economistas também apontam que a relação com o Congresso será determinante para a aprovação de eventuais mudanças. A execução de medidas fiscais depende não apenas de anúncios do Executivo, mas também de apoio político e capacidade de implementação.

A forte queda da Bolsa e a disparada do dólar refletem a reação inicial dos investidores ao resultado eleitoral. O comportamento dos ativos nos próximos dias dependerá das sinalizações do governo, das condições internacionais e da evolução das expectativas sobre a economia brasileira.