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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
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Eleições

De onde vieram os 10 milhões de votos a mais de Lula?

Eleitores de Cury, Renan Santos, Caiado e Zema migraram para o petista?

Foto: LIESA JOHANNSSEN/REUTERS

Lula acrescentou 10,36 milhões de votos à sua votação entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A mudança transformou uma desvantagem de 2,2 milhões de votos em uma vitória por aproximadamente 4,4 milhões sobre Flávio Bolsonaro. O resultado levanta uma questão: de onde vieram os eleitores que permitiram essa virada?

Uma parte importante da pergunta envolve os eleitores de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. No primeiro turno, essas candidaturas reuniram milhões de votos, muitos deles de eleitores que buscavam alternativas ao PT. Com a eliminação desses candidatos, o eleitorado precisou escolher entre Lula, Flávio, o voto branco ou nulo e a possibilidade de não comparecer às urnas.

Eleitores de candidatos de direita votaram em Lula?

A pergunta ganha relevância porque Caiado e Cury declararam apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. Zema também se posicionou contra o PT, enquanto Renan Santos não anunciou apoio formal a um dos finalistas.

Uma pesquisa Datafolha divulgada em 8 de outubro mostrou que, entre os eleitores dos quatro candidatos, 46% pretendiam votar em Flávio e 32% declararam intenção de votar em Lula. Os demais se dividiam entre branco, nulo e indecisão. O levantamento indicava que a transferência de votos não seria automática, mesmo com o posicionamento público de algumas lideranças.

Mas o que aconteceu nas urnas? Uma análise estatística posterior ao segundo turno, baseada nos resultados municipais, estimou que aproximadamente 44% dos eleitores de Renan Santos, Caiado, Zema e outras candidaturas de direita migraram para Lula. Para Flávio, a estimativa foi de 47%. No grupo de eleitores de Augusto Cury, Lula teria recebido cerca de 49%, contra 28% destinados a Flávio.

Esses números são estimativas estatísticas, não uma pesquisa que tenha identificado o voto individual de cada eleitor. Ainda assim, sugerem que uma parcela expressiva do eleitorado de candidaturas alternativas à direita teria escolhido Lula no segundo turno.

Os votos dos derrotados não explicam tudo

No primeiro turno, os candidatos eliminados somaram aproximadamente 9,32 milhões de votos. Lula, porém, acrescentou 10,36 milhões à própria votação. Mesmo que todos os eleitores dos candidatos derrotados tivessem escolhido o petista, esse grupo não seria suficiente para explicar sozinho o crescimento.

Outros movimentos também influenciaram o resultado. A abstenção caiu em aproximadamente 2,96 milhões de eleitores, enquanto os votos brancos e nulos diminuíram em cerca de 1,82 milhão. Isso ampliou o total de votos válidos disponíveis na segunda votação.

Flávio também aumentou sua votação, adicionando cerca de 3,71 milhões de votos. A diferença entre os ganhos dos dois candidatos foi de aproximadamente 6,65 milhões, movimento decisivo para a mudança do resultado final.

A pergunta que os números deixam

Quantos eleitores que votaram em Caiado, Zema, Renan Santos e Cury no primeiro turno escolheram Lula no segundo? E quantos seguiram o apoio de suas lideranças a Flávio Bolsonaro?

Os resultados agregados e as estimativas estatísticas sugerem que houve transferência de votos em diferentes direções, além da entrada de eleitores que não haviam comparecido anteriormente. Não é possível, porém, identificar com certeza o comportamento individual de cada grupo apenas pela comparação dos resultados eleitorais.

A virada de Lula pode ser examinada a partir desses movimentos, mas atribuir todo o crescimento a uma única origem seria ignorar a combinação entre migração de votos, comparecimento às urnas e redução dos votos brancos e nulos. A questão central permanece: quanto do avanço do petista veio dos eleitores das candidaturas eliminadas, especialmente daqueles que haviam escolhido nomes associados à direita?