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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
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Coincidência? Venezuela também teve votação estendida em eleição de Maduro

Em 2018, centros eleitorais venezuelanos permaneceram abertos após o horário previsto. Em 2024, Maduro foi declarado vencedor em uma eleição contestada por opositores e observadores internacionais.

Foto: RICARDO STUCKERT

A prorrogação do horário de votação no Brasil, em 25 de outubro de 2026, provocou comparações nas redes sociais com eleições realizadas na Venezuela durante o governo de Nicolás Maduro. Há um precedente documentado: nas eleições presidenciais venezuelanas de 2018, diversos centros de votação continuaram funcionando depois do horário oficial de encerramento. Já o pleito de 2024 ficou marcado pela contestação dos resultados anunciados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

O que aconteceu na Venezuela em 2018?

Em 20 de maio de 2018, a Venezuela realizou eleições presidenciais nas quais Maduro disputava a reeleição. A votação estava prevista para terminar às 18h, no horário local, mas relatos da imprensa registraram centros eleitorais ainda abertos às 21h. Os locais encerraram as atividades progressivamente, enquanto eleitores que já estavam nas filas continuavam sendo atendidos.

Na ocasião, o CNE anunciou a reeleição de Maduro com 67,7% dos votos, contra 21,1% de Henri Falcón. A participação foi baixa, com abstenção de aproximadamente 52%, segundo os dados divulgados na época. A oposição contestou as condições do pleito, e diferentes governos estrangeiros questionaram sua legitimidade.

A permanência de centros abertos além do horário previsto, portanto, não é uma informação inventada. Entretanto, os registros consultados não demonstram que a extensão tenha sido determinada para garantir a vitória de Maduro. A existência de uma prorrogação e a comprovação de fraude são questões distintas.

A eleição de 2024 e a contestação dos resultados

Em 28 de julho de 2024, Maduro enfrentou Edmundo González Urrutia, candidato apoiado pela oposição liderada por María Corina Machado. Antes da votação, diferentes pesquisas e projeções indicavam vantagem para González. Na noite eleitoral, porém, o CNE anunciou Maduro como vencedor, inicialmente com 51,2% dos votos, contra 44,2% do adversário.

O anúncio provocou uma crise política. A oposição publicou atas eleitorais que, segundo sua apuração, apontavam vitória de González. Uma análise da Associated Press de quase 24 mil imagens dessas atas, correspondentes a cerca de 79% das máquinas de votação, também encontrou números incompatíveis com o resultado anunciado pelo governo.

O Carter Center, organização que acompanhou o processo eleitoral, declarou que não podia verificar nem corroborar os resultados divulgados pelo CNE. A entidade apontou a ausência de resultados detalhados por seção eleitoral como uma grave falha de transparência e concluiu que o pleito não cumpriu os padrões internacionais de integridade eleitoral.

Em 2024, também houve relatos de centros eleitorais que continuaram abertos depois do horário previsto. A Associated Press registrou locais ainda funcionando mais de três horas após o limite estabelecido. Isso, isoladamente, não comprova que a extensão tenha produzido o resultado anunciado pelo CNE.

O que a comparação permite concluir?

No Brasil, a decisão de estender o horário de votação em 25 de outubro de 2026 foi justificada por dificuldades de transporte e provocou questionamentos sobre sua comunicação e execução. Na Venezuela, os episódios de 2018 e 2024 ocorreram em contextos eleitorais diferentes, embora também tenham envolvido centros abertos além do horário previsto.

O precedente venezuelano oferece elementos para discutir transparência, fiscalização e divulgação dos resultados. A comparação entre os países, contudo, depende da análise das regras aplicadas, das justificativas oficiais e das evidências disponíveis em cada eleição.