Brasil de Lula e Moraes vira vexame internacional
Washington Post e Wall Street Journal enxergam vingança, perseguição e risco de autocracia onde Lula prometia defender a democracia.
Até domingo, Lula se apresentava como guardião da democracia. Poucos dias depois de sua reeleição, dois dos jornais mais influentes dos Estados Unidos descreviam o Brasil com palavras bem menos nobres: vingança política, perseguição aos derrotados, censura e risco de autocracia.
A crítica não nasceu de alguma declaração inflamada de um adversário brasileiro. Veio dos conselhos editoriais do Wall Street Journal e do Washington Post, jornais que falam para investidores, autoridades e formadores de opinião do mundo inteiro.
O Wall Street Journal abriu seu editorial com uma síntese devastadora:
O jornal se refere ao pedido da Polícia Federal autorizado por Alexandre de Moraes para apreender os documentos de viagem de Flávio. Na terça-feira, temendo ser preso, o candidato derrotado deixou o Brasil com a esposa e as filhas, atravessou a fronteira argentina e seguiu para os Estados Unidos.
O Washington Post resumiu o tamanho do constrangimento:
Esse último trecho é crucial. O jornal não declara Flávio inocente nem afirma que toda investigação seria ilegítima. A crítica é mais profunda: o Judiciário brasileiro acumulou tanto poder e adotou procedimentos tão excepcionais que um líder da oposição já não acredita que teria direito a um julgamento imparcial.
O Wall Street Journal recorda que Flávio ainda não foi formalmente acusado de um crime. Também relembra uma declaração de Lula durante a campanha:
A frase final é brutal: primeiro se escolhe o alvo, depois se procura uma acusação. Essa inversão resume o medo de quem acompanhou os inquéritos intermináveis, as decisões sigilosas, a censura de perfis e o uso de investigações nas quais o mesmo ministro aparece como vítima, investigador e julgador.
O Washington Post lembra que Moraes utilizou o Inquérito das Fake News, aberto pelo próprio Supremo em 2019, para ordenar buscas, prisões, bloqueios de contas e remoções das redes sociais. Ao tratar da suspensão do X (antigo Twitter) em todo o território nacional, o editorial afirma que o ataque à liberdade de expressão colocou o Brasil numa “galeria de párias” ao lado de China, Irã e Turcomenistão.
Para o jornal, chamar uma ordem de legal não basta para torná-la legítima:
O editorial também atinge Lula no ponto mais incômodo. Foram justamente o devido processo, a presunção de inocência e as decisões dos tribunais superiores que permitiram a anulação de suas condenações e seu retorno à Presidência. Esses princípios não podem desaparecer quando o acusado pertence à família Bolsonaro.
Nas palavras do Washington Post:
Há ainda uma consequência que Brasília costuma ignorar. O Washington Post alerta que empresários não conseguem separar a perseguição política da segurança oferecida a contratos, propriedades e investimentos. Quanto maior a liberdade de autoridades para mudar regras e perseguir adversários, maior o risco político de colocar dinheiro no Brasil.
O Wall Street Journal encerra com um alerta ainda mais grave:
Lula venceu a eleição, mas a imagem que seu governo projeta poucos dias depois é a de um país onde a vitória autoriza a caça ao derrotado.
O novo governo Lula parece começar inaugurando um tipo criminal: o de ousar disputar a Presidência contra o PT. Flávio perdeu nas urnas e, poucos dias depois, teve seus passaportes na mira da Justiça e deixou o país temendo ser preso.
No Brasil que volta a ser criticado pela imprensa internacional, a urna encerra a votação e já abre o próximo inquérito.
Esse é o tamanho do vexame. O governo comemora uma vitória enquanto parte da imprensa mais influente do planeta pergunta se o Estado de Direito brasileiro sobreviverá ao vencedor.




