Trump promete conversar com Lula, mas evita reconhecer legitimidade da vitória petista
Presidente dos Estados Unidos chama eleição brasileira de “vergonha”, afirma que Lula pediu neutralidade e volta a questionar o processo eleitoral sem apresentar provas de fraude.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (29) que pretende conversar com Luiz Inácio Lula da Silva, mas voltou a criticar a eleição presidencial brasileira. Questionado sobre a possibilidade de telefonar para parabenizar o petista pela reeleição, o republicano evitou reconhecer diretamente a legitimidade do resultado e classificou o pleito como uma “vergonha”.
“Vou conversar com ele, mas acho que a eleição foi uma vergonha no Brasil”, declarou Trump durante entrevista a jornalistas. O presidente americano também afirmou que Lula havia pedido que ele não tomasse partido na disputa, alegando ter respeitado essa solicitação.
Apesar de confirmar a intenção de conversar com o presidente brasileiro, Trump não informou quando o contato deverá ocorrer. Ao ser questionado sobre quem considera o vencedor legítimo da eleição, também evitou responder diretamente. A postura mantém em aberto a posição pública do governo americano diante da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL).
Esta não foi a primeira vez que Trump questionou a disputa. Na segunda-feira (26), o republicano afirmou que a eleição parecia ter sido fraudada e criticou a prorrogação do horário de votação determinada pelo Supremo Tribunal Federal.
Trump voltou a mencionar a reação dos mercados financeiros brasileiros após o resultado eleitoral. No primeiro pregão depois do segundo turno, em 26 de outubro, o Ibovespa caiu 13,88%, enquanto o dólar subiu 8,21%, encerrando o dia cotado a R$ 5,40. A queda da Bolsa foi a maior desde março de 2020, segundo dados citados pela Folha de S.Paulo.
A declaração ocorre em meio à repercussão internacional da eleição e às discussões sobre o relacionamento entre Washington e Brasília. Durante a campanha, Trump acompanhou a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro e chegou a elogiar o desempenho do senador no primeiro turno.
Embora tenha afirmado que não tomou partido, o presidente americano continua evitando uma manifestação direta de reconhecimento da vitória de Lula. Até o momento, também não apresentou provas públicas que sustentem as acusações de irregularidades eleitorais.
A expectativa de uma conversa entre os dois presidentes abre uma nova etapa nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. O conteúdo e o momento desse eventual contato ainda não foram divulgados.




