A casa de Lula caiu: Vorcaro relata R$ 30 milhões para documentário do petista
Relato do ex-banqueiro envolve o Instituto Lula, ex-tesoureiro do PT e supostos pagamentos para abrir portas em fundos de pensão estatais
O escândalo envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira. Segundo reportagem da revista Veja publicada pela CNN Brasil, o banqueiro afirmou ter destinado cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo a despesas de um documentário sobre Luiz Inácio Lula da Silva, além de relatar pagamentos ao Instituto Lula. As declarações levantam questionamentos sobre as relações entre o entorno do presidente e o empresário investigado por fraudes financeiras.
De acordo com o relato atribuído a Vorcaro, os recursos teriam sido negociados com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, em contrapartida à articulação para permitir que o Banco Master acessasse fundos de pensão ligados a instituições públicas. O documentário mencionado seria Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone.
A denúncia não se limita ao financiamento da produção. Vorcaro também teria relatado uma cobrança de 10% sobre os valores que o banco conseguisse captar junto a fundos previdenciários ligados ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica Federal, à Petrobras e aos Correios. O suposto esquema envolveria interlocutores políticos e nomes ligados ao governo, entre eles o ministro Alexandre Padilha e o senador Jaques Wagner, segundo a reportagem.
Há, porém, um ponto decisivo: a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República não aceitaram a proposta de colaboração premiada de Vorcaro por considerarem insuficientes os elementos apresentados para dar credibilidade às acusações. A defesa do banqueiro afirma que haveria mensagens, registros e informações sobre as supostas entregas de dinheiro. Até o momento, os relatos não foram comprovados judicialmente.
Lula negou ter solicitado ou recebido qualquer vantagem financeira de Vorcaro, assim como negou ter autorizado terceiros a receber recursos em seu nome. Padilha também negou relação irregular com o banqueiro. Os citados têm direito à presunção de inocência, e as acusações precisam ser investigadas com base em provas verificáveis.
Mesmo sem uma delação aceita, as declarações colocam sob escrutínio as relações entre empresários, operadores políticos e estruturas públicas de investimento. Se houver provas materiais dos pagamentos e das contrapartidas descritas, caberá às autoridades apurar responsabilidades. A pergunta que permanece é se os documentos e registros mencionados pela defesa serão apresentados e examinados de forma independente.




