Governo Lula eleva classificação de desenhos bíblicos da Record e gera reação entre cristãos
Ministério da Justiça mudou a classificação de livre para 12 anos, citando violência, drogas lícitas, atos criminosos e preconceito; decisão provoca questionamentos sobre os critérios adotados.
O governo Lula colocou os desenhos bíblicos da Record sob uma classificação indicativa mais restritiva. O programa Record Kids – Desenhos Bíblicos, exibido nas manhãs de domingo, deixou de ser considerado livre e passou a ser classificado como não recomendado para menores de 12 anos. A decisão foi oficializada pelo Ministério da Justiça na Portaria nº 2.272, publicada no Diário Oficial da União em 29 de outubro de 2026.
Para justificar a mudança, o órgão apontou quatro descritores: atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito. A emissora havia solicitado a manutenção da classificação livre, mas o pedido não foi acolhido. Com a nova faixa etária, a recomendação para exibição em televisão aberta passou a ser a partir das 20h.
A medida provocou indignação entre lideranças religiosas. Durante um culto realizado no domingo (1º), o pastor José Orisvaldo Nunes de Lima, presidente da Assembleia de Deus em Alagoas, criticou a decisão e questionou os critérios utilizados pelo governo. Ele relatou ter ficado indignado ao saber que desenhos com histórias bíblicas haviam sido enquadrados em categorias relacionadas a violência, drogas e preconceito.
A controvérsia levanta uma questão legítima: quais elementos concretos das produções justificam que uma programação infantil de temática bíblica deixe de ser considerada adequada para todas as idades? A portaria apresenta os descritores utilizados, mas não identifica episódios ou cenas específicas que fundamentaram a reclassificação. Sem essa explicação, pais e responsáveis ficam sem elementos suficientes para avaliar a proporcionalidade da medida.
O episódio também abre espaço para discutir a atuação do Estado na formação moral das crianças. Em um país no qual a educação dos filhos e a transmissão de valores familiares são temas de constante disputa pública, decisões que afetam conteúdos religiosos destinados ao público infantil precisam ser transparentes e fundamentadas.
A crítica ganha outra dimensão quando colocada ao lado dos debates sobre a abordagem de gênero nas escolas. Setores conservadores e famílias cristãs questionam propostas educacionais que, em sua avaliação, podem entrar em conflito com as convicções dos pais. O governo, por sua vez, precisa esclarecer os fundamentos de suas políticas educacionais e os limites da atuação estatal nessa área. São debates distintos, mas ambos dizem respeito ao papel do poder público na formação das novas gerações.
É preciso registrar que a classificação indicativa não equivale à proibição dos desenhos. Ela funciona como orientação aos pais e responsáveis, e a recomendação de horário não impede, por si só, a exibição em outro período. Ainda assim, a mudança merece explicações públicas: o Ministério da Justiça deve apresentar critérios claros, demonstrar a proporcionalidade de suas decisões e respeitar o direito das famílias de escolherem os conteúdos que seus filhos consomem.
A questão central permanece: por que uma produção infantil baseada em narrativas bíblicas recebeu classificação para maiores de 12 anos? O governo deve explicações às famílias brasileiras.




