Vorcaro nega fraude de R$ 12 bilhões, acusa perseguição e pede arquivamento do caso
Em depoimento à Polícia Federal, ex-controlador do Banco Master afirmou que o BRB não sofreu prejuízos e contestou as conclusões da investigação sobre operações com carteiras de crédito.
O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou ter cometido fraude nas operações realizadas com o Banco de Brasília (BRB) e afirmou ser vítima de perseguição. Em depoimento à Polícia Federal, o empresário pediu o arquivamento da investigação e sustentou que as negociações não provocaram prejuízos ao banco público nem a seus clientes.
Vorcaro atribuiu a crise enfrentada pelo BRB à liquidação do Banco Master e à repercussão da Operação Compliance Zero. Segundo ele, a investigação teria abalado a credibilidade das instituições envolvidas e provocado a retirada de recursos do banco público.
“Depois da liquidação e da minha prisão, foi sacado R$ 9 bilhões do BRB. A crise do BRB não foi causada por mim”, afirmou.
O ex-banqueiro também contestou a suspeita de comercialização de créditos inexistentes. Segundo a Polícia Federal, operações envolvendo carteiras atribuídas à empresa Tirreno teriam sido utilizadas para transferir ativos sem comprovação de existência ao BRB. Vorcaro reconheceu problemas relacionados a essas carteiras, mas alegou que foram substituídas por outros ativos.
Vorcaro contesta suspeita de fraude bilionária
A investigação apura operações que somaram R$ 17,5 bilhões em ativos transferidos pelo Banco Master ao BRB entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse total, R$ 12,2 bilhões corresponderiam a créditos sem comprovação de existência, segundo os investigadores.
Vorcaro rejeitou essa conclusão e pediu a realização de uma perícia internacional independente para verificar as operações. Ele afirmou que a troca das carteiras por outros ativos teria demonstrado que não houve prejuízo ao banco de Brasília.
“Fraude não teve. Não teve fraude. Não tem cliente que perdeu dinheiro, o BRB não perdeu dinheiro”, declarou.
O empresário também acusou um agente de persegui-lo havia seis anos e afirmou que a suspeita de fraude de R$ 12 bilhões estaria sendo utilizada para justificar sua prisão.
PF indiciou Vorcaro e outras 14 pessoas
Na quarta-feira (28), a Polícia Federal concluiu a primeira etapa da investigação e indiciou Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas. O relatório, com mais de 700 páginas, foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Vorcaro foi indiciado por suspeitas de gestão fraudulenta, indução a erro em operação financeira, falsidade em informações ou documentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A PF atribui ao ex-controlador do Master participação central nas operações investigadas.
Os investigadores apontaram aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já formalizadas, valor relacionado a carteiras de crédito consideradas inexistentes. A corporação solicitou mais 60 dias para aprofundar as apurações e realizar novas perícias.
O ex-banqueiro também negou ter oferecido imóveis avaliados em R$ 146 milhões ao ex-presidente do BRB como vantagem indevida. Segundo sua versão, os imóveis seriam disponibilizados apenas para moradia, caso Paulo Henrique Costa assumisse um cargo de gestão em uma eventual fusão entre os bancos.
As declarações de Vorcaro fazem parte de sua defesa e ainda serão confrontadas com as provas reunidas pela Polícia Federal. O relatório de indiciamento foi encaminhado ao STF, e a investigação continua em andamento.




