Grupo terrorista Hezbollah parabeniza Lula pela reeleição e elogia posições sobre Israel
Em comunicado divulgado pelo Al-Manar, organização apoiada pelo Irã destacou as críticas do presidente brasileiro a Israel e sua defesa da causa palestina.
O grupo terrorista Hezbollah parabenizou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela reeleição à Presidência da República. A mensagem foi divulgada em 29 de outubro pelo Al-Manar, veículo de comunicação ligado à organização libanesa, quatro dias depois do segundo turno das eleições brasileiras.
No comunicado, o Hezbollah apresentou felicitações a Lula pela vitória eleitoral e destacou posições de sua política externa. A organização elogiou especialmente as manifestações do presidente brasileiro sobre a guerra na Faixa de Gaza, suas críticas às operações militares israelenses e seu apoio à causa palestina.
O texto também mencionou a oposição de Lula à influência dos Estados Unidos na política internacional e defendeu o fortalecimento das relações entre Brasil, Líbano e Cuba. A mensagem procurou associar a reeleição do petista à continuidade de uma política externa que, na avaliação do grupo, representa resistência às pressões norte-americanas.
Hezbollah é apoiado pelo Irã e mantém braço armado
Fundado em 1982, durante a guerra civil libanesa, o Hezbollah é uma organização político-militar xiita que mantém estreita ligação com o regime iraniano. O grupo recebe apoio financeiro e militar de Teerã e exerce influência política no Líbano, além de manter uma estrutura armada própria.
A organização é classificada como terrorista pelos Estados Unidos, pelo Reino Unido e por Israel. A União Europeia, por sua vez, incluiu o braço militar do Hezbollah em sua lista de organizações terroristas em 2013.
Ao longo de sua história, o grupo esteve envolvido em confrontos armados com Israel e participou da guerra civil síria em apoio ao regime de Bashar al-Assad. Desde outubro de 2023, também realizou ataques contra o território israelense, ampliando a tensão na fronteira entre os dois países.
Política externa brasileira e Oriente Médio
A manifestação do Hezbollah ocorre em um contexto de divergências diplomáticas entre o governo brasileiro e Israel. Lula fez declarações duras contra a condução da guerra em Gaza e comparou a atuação israelense ao Holocausto, provocando uma crise diplomática entre os dois países em 2024.
A mensagem do grupo libanês não representa, por si só, uma declaração de aliança ou vínculo formal com o governo brasileiro. Ainda assim, o conteúdo do comunicado evidencia a convergência entre as posições elogiadas pelo Hezbollah e algumas das diretrizes defendidas por Lula no debate internacional sobre o Oriente Médio.
A felicitação também coloca em evidência o papel da política externa brasileira em uma região marcada por conflitos e pela atuação de organizações armadas apoiadas por potências estrangeiras.




