Deputada do PT denuncia racismo após exposição de uso de dinheiro público em Nova York
Carol Dartora afirma ter recebido mais de 300 comentários racistas após a divulgação das despesas em Nova York; parlamentar reconheceu o reembolso indevido de bebidas e prometeu devolver os valores.
A deputada federal Carol Dartora (PT-PR) afirmou ser vítima de racismo e misoginia após a divulgação de que a Câmara dos Deputados reembolsou despesas com espumante e cerveja durante uma viagem a Nova York, nos Estados Unidos. Em vídeo publicado nas redes sociais, nesta segunda-feira (2), a parlamentar disse ter recebido mais de 300 comentários racistas e reconheceu que houve ressarcimento indevido das bebidas alcoólicas.
O caso veio à tona no domingo (1º), após reportagem revelar que duas despesas apresentadas pela deputada foram pagas com recursos da cota parlamentar. Uma nota do The Palm Bar & Grill, no aeroporto JFK, incluía três taças de espumante e uma sobremesa, com reembolso de R$ 453,84. Outra, do Luke’s Lobster, registrava um sanduíche de lagosta e uma cerveja artesanal, com pagamento de R$ 216,18 pela Câmara. Os dois comprovantes somam R$ 670,02, incluindo alimentos e bebidas.
A utilização da cota parlamentar para custear bebidas alcoólicas é proibida pelas regras da Câmara. Em seu pronunciamento, Dartora afirmou que não pediu nem autorizou o reembolso desses itens. Segundo ela, a equipe teve dificuldade para identificar as bebidas nas notas fiscais emitidas em inglês e havia recebido orientação para excluir esse tipo de despesa.
“Eu reconheço essa falha no procedimento administrativo, mas eu não a determinei, não a pedi”, declarou. A deputada afirmou que o gabinete está providenciando a devolução dos valores e atribuiu o problema à conferência dos comprovantes.
A parlamentar também criticou a repercussão do caso e afirmou que parte dos comentários recebidos atacava sua cor e sua condição de mulher negra. “Quando os comentários atacam minha cor e demonstram revolta por uma mulher preta consumir algo associado a conforto, isso é racismo”, disse. Ela defendeu que a fiscalização dos gastos públicos seja aplicada a todos os parlamentares, mas afirmou que cobranças não justificam ataques discriminatórios.
Dartora também rebateu críticas ao consumo de um sanduíche de lagosta durante a viagem. Segundo a deputada, a refeição ocorreu em uma lanchonete no subsolo da estação Grand Central, em Nova York, e não em um restaurante de luxo. Ela afirmou que a apresentação do episódio como ostentação distorceu o contexto da despesa.
A viagem ocorreu em março, quando a parlamentar participou da 70ª sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU). Durante o pronunciamento, ela mencionou sua atuação em debates sobre direitos das mulheres, racismo e misoginia nas redes sociais.
A deputada não apresentou, no vídeo, detalhes sobre eventual registro de ocorrência para investigar os ataques relatados. Também não informou que a devolução já tenha sido concluída. O episódio reúne duas questões que precisam ser tratadas separadamente: a obrigação de prestar contas corretamente sobre o uso de dinheiro público e a necessidade de investigar e responsabilizar manifestações racistas e ameaças.




