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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Política

Alcolumbre sinaliza anistia a Bolsonaro para atrair apoio à reeleição no Senado

Presidente da Casa busca apoio da bancada do PL para permanecer no comando em 2027, enquanto Rogério Marinho articula candidatura de oposição.

Foto: Reprodução

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estaria discutindo a possibilidade de anistia ou indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro como parte de uma articulação para conquistar apoio à própria reeleição em fevereiro de 2027. A sinalização busca aproximar Alcolumbre da bancada do PL, que terá a maior representação da Casa na próxima legislatura.

A movimentação foi relatada por interlocutores do senador e divulgada pelo portal BnT Online. Segundo a publicação, a proposta de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e a Bolsonaro seria usada para atrair parlamentares da oposição e reduzir o espaço de candidaturas concorrentes, especialmente a do senador Rogério Marinho (PL-RN).

Informações publicadas pela CNN Brasil e pelo InfoMoney também apontam que Alcolumbre vem conversando sobre alternativas de anistia ou indulto como parte de uma estratégia de pacificação institucional e de construção de apoio para continuar à frente do Senado. Ainda não há, porém, um acordo fechado nem uma proposta formal apresentada pelo presidente da Casa.

O movimento ocorre em um cenário de disputa pelo comando do Senado. Rogério Marinho é um dos nomes da oposição que buscam viabilizar uma candidatura própria, enquanto Alcolumbre tenta reunir apoio de partidos do Centrão e de integrantes da base governista. A bancada do PL terá peso decisivo nessa negociação.

A possibilidade de anistia também enfrenta resistência entre parlamentares do PT e aliados do governo Lula. Para esse grupo, qualquer iniciativa que beneficie Bolsonaro e os condenados pelos atos de 8 de janeiro representa um ponto de forte divergência política.

Há ainda obstáculos jurídicos. Uma eventual lei de anistia poderia ser questionada no Supremo Tribunal Federal, e seus efeitos sobre a condenação criminal de Bolsonaro não significariam, automaticamente, a reversão de sua inelegibilidade, determinada pela Justiça Eleitoral. Anistia, indulto e revisão de decisões eleitorais são instrumentos jurídicos distintos.

A eleição para a presidência do Senado está prevista para fevereiro de 2027. Até lá, a negociação por votos deve envolver diferentes bancadas e pautas de interesse da oposição e do governo. A discussão sobre o futuro jurídico de Bolsonaro passa, assim, a integrar as articulações em torno do comando da Casa, embora não exista confirmação de uma troca formal de apoio por anistia.