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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Política

Caso Master: Fachin dá 15 dias para a PGR se posicionar sobre Vorcaro

PF pediu mais prazo para concluir perícias, rastrear movimentações financeiras e identificar responsabilidades; Fachin encaminhou relatório à PGR.

Foto: Agência O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, concedeu 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o andamento das investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (4), após a Polícia Federal apresentar um relatório parcial e solicitar mais tempo para concluir diligências.

De acordo com a reportagem da Revista Oeste, os investigadores informaram que algumas linhas de apuração já possuem elementos consolidados, mas outras ainda dependem de providências técnicas. Entre as etapas pendentes estão a conclusão de laudos periciais, o aprofundamento da análise de movimentações financeiras e a identificação individual das possíveis responsabilidades dos envolvidos.

No documento encaminhado ao Supremo, a Polícia Federal argumentou que essas medidas são necessárias para verificar a materialidade dos fatos, reconstruir os fluxos financeiros e individualizar as condutas investigadas. A corporação pediu, portanto, prazo adicional para concluir o trabalho antes de apresentar suas conclusões.

Fachin determinou que a PGR examine o relatório policial e se manifeste também sobre as providências solicitadas pelos investigados. O prazo de 15 dias coloca a Procuradoria diante de uma nova etapa de avaliação em um caso que envolve suspeitas de fraudes financeiras e possíveis conexões com autoridades públicas.

O caso Vorcaro ganhou dimensão nacional após a investigação da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes bilionárias relacionadas ao Banco Master e possíveis pagamentos a agentes públicos. O material extraído do celular do empresário também colocou o ministro Alexandre de Moraes no centro de uma controvérsia sobre mensagens trocadas entre ambos.

Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil em setembro, a Polícia Federal identificou mensagens que indicariam contato entre Vorcaro e Moraes. Entre os elementos mencionados estava um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. A existência do contrato e das mensagens passou a integrar o debate sobre a necessidade de esclarecimentos públicos.

A investigação também provocou divergências dentro do próprio Supremo. Ministros discutiram a extensão do acesso aos documentos, o levantamento de sigilos e os procedimentos adotados na apuração. A disputa institucional aumentou a pressão por transparência em torno dos documentos e das relações financeiras que aparecem no caso.

A manifestação da PGR será importante para definir os próximos passos processuais. O órgão deverá avaliar o relatório parcial da PF e os pedidos apresentados, enquanto os investigadores continuam o trabalho técnico. A concessão de prazo não representa conclusão sobre a culpa de qualquer investigado, mas demonstra que ainda existem pontos relevantes a esclarecer.

O caso exige acompanhamento rigoroso. Diante da dimensão das suspeitas e da possível participação de pessoas com influência política e institucional, a sociedade tem interesse legítimo em conhecer os resultados da investigação. A apuração precisa avançar com independência, respeito ao devido processo legal e transparência compatível com os limites do sigilo judicial.